Esta é a primeira postagem deste blog e gostaria
de começar escrevendo sobre algo que me ocorreu, ou melhor, ainda está. Na certa
você não me conhece e na certa muitos sequer lerão este post ou jamais saberão de sua existência. Mesmo assim eu gostaria
de usar este blog pra expressar algumas de minhas idéias, já que outras podem
chocar alguns de vocês.
Bem! Sou como você. Sou humano. Cheio de defeitos, cheio de
qualidades (algumas ainda não
descobertas), cheio de dúvidas e vontade de saciar essas dúvidas, cheio de
conflitos e vontade de aquietá-los, com minhas mazelas e com vontade de superá-las,
acima de tudo, cheio de sonhos e com muita vontade de conquistar cada um deles.
Hoje estou com 26 anos de idade. Não construí nada
na minha vida a não ser uma vida baseada numa rotina fútil e vazia. Vivi minha
vida inteira esperando por algo que nunca veio e, a essas “alturas do campeonato”,
acho que não virão. Passei minha vida amargurando perdas de algo que nunca
foram, de fato, minhas. Vivi minha vida querendo ouvir um som que nunca
escutaria. Na verdade, eu escutei. Muitas foram às vezes em que escutei este
som. Mas nenhum era direcionado a mim. Então, o que dizer?
Eu poderia descrever aqui, neste post todo o meu passado – diga-se de
passagem, que ainda é muito presente – mas não farei isso. Não aqui, não agora,
não hoje.
Minha infância foi de alguma forma, muito feliz. Claro
que não foi perfeita e nem algo que me liberte de alguma culpa dos meus erros
recentes. Vivi uma infância alegre, na medida do possível. Brinquei, corri,
subi em arvores, andei de bicicleta na rua, brinquei com outras crianças. Aparentemente
normal, mas tudo isso escondia uma verdade oculta, maquiada. Não que tudo o que
vivi não tivesse sido verdadeiro. Foi. Sempre procurei aproveitar as coisas que
eu tinha da melhor forma possível. Se eu tinha a chance de ir pra rua brincar
de ‘queimada’, ‘gêmessom’, ‘esconde-esconde’,
eu ia pra rua e aproveitava aquele momento. Se eu tivesse a chance de sair na
chuva pra brincar, eu me deliciava com aquele momento. Muitos até hoje olham e
acham que eu exagero quando tomo algumas atitudes, um tanto rudes, com algumas
pessoas. Sempre foi assim. Quem estava de fora não via e, logo, não tinham a
percepção da negligência dentro de casa.
Meus pais são primos legítimos, desse casamento eu
tenho mais um irmão de 20 anos. Meu pai sempre nos tratou de forma igualitária.
Ele nunca fez aquela distinção de idade entre os filhos que os pais costumam
fazer. Já minha mãe sempre nos tratou com essa tal distinção. Até hoje eu ainda
não entendo o porquê ela nos tratava assim. Meu irmão, na mente dela, era
melhor em tudo, ele podia tudo e, eu, não podia nada, não era nada, nunca iria
ser nada, tudo meu era limitado. O que mais me doía era que ela verbalizava
tudo isso. Então eu me escondia nas aparências e me desligava disso tudo nas
minhas brincadeiras.
Uma fase muito gostosa da minha vida foi quando eu
fiz oito anos. Nessa época, como eu sou quase seis anos mais velho que meu
irmão, minha mãe costumava me levar para todos os lugares com ela. Minha mãe
sempre foi uma mulher muito guerreira, batalhadora, firme e que não baixava a
cabeça para as adversidades da vida. Nunca deixou que nada faltasse em casa. Nunca
deixou de pôr o pão na mesa pra ir atrás de vícios. Ela me teve muito cedo. Quando
se casou com meu pai ela tinha apenas 17 anos e, com o meu nascimento e o
nascimento do meu irmão, ela perdeu parte de sua juventude. Então quando
completei essa idade de oito anos, meu irmão ficava com uma babá – nessa época,
as coisas já haviam melhorado financeiramente. Então minha mãe teve o sonho de
ser jogadora de futebol. Na posição de goleira, pra ser mais exato. Mas esse
sonho foi frustrado. Então logo em seguida ela resolveu ser atriz. Foi ai que
começou a fase gostosa da minha infância. Ela sempre me levava para assistir as
peças de teatro que ela fazia. Era sensacional. Eu me orgulhava dela. Foi então
que ela me levou pra conhecer o Centro de Artes da Universidade do Amazonas, o
CAUA, e eu me encantei logo de cara com tudo o que vi lá. No mesmo ano, 1996 eu
comecei a estudar música, artes plásticas e teatro lá. Durante dois anos eu me
apresentei em peças teatrais em teatro, Centros de Convivências. Nas datas
comemorativas, que são muitas aqui no Brasil, eu me apresentava no coral do
Centro de Artes e me apresentava com os meus colegas na época, tocando flauta
doce. Eu já havia começado minhas aulas de piano e não via a hora de aprender
tocar violino. Foi muito bom viver tudo isso. Ela compartilhava os sonhos dela
comigo e eu compartilhava os meus com ela.
Um dia ela soube de uma seleção de atores adultos
e atores mirins para uma produção amazonense de uma micro-série chamada “AMAZONAS,
A LENDA”, produzida pela TV Cultura daqui de Manaus. Na época, eu era bem
diferente do que sou hoje. Hoje meus cabelos são cacheados e, já começaram a
cair. Mas na época meus cabelos eram cheios e lisos. Ideal para ser um dos ‘curumins’
da tribo. A propósito. A série contava a histórias das índias guerreiras, as Amazonas. Minha mãe acabou ganhando duas participações diferentes. No inicio da
série como uma das “Filhas do Sol”, assassinadas pelos desbravadores espanhóis.
Depois foi uma das Amazonas.
Resolvi contar com mais detalhes essa parte da
história pra se ter uma dimensão do sonho que havia sido plantado em mim. Mas de
uma hora pra outra, tudo o que era sonho virou pesadelo. De repente, ela já não
compartilhava mais os mesmos sonhos que eu. E aquela figura materna
desapareceu. Até hoje, eu não sei onde foi parar minha mãe, carinhosa,
acolhedora, atenciosa. A mulher que eu tenho aqui é uma total estranha pra mim.
Aos treze anos eu discuti com ela pela primeira vez. Mas essa história eu conto
depois. Hoje a gente não se tolera muito. – Só pra constar. Ela e meu pai não
são mais casados hoje. Em 2000 eles se separaram. – tudo aquilo que eu aprendi
a gostar e queria levar pro resto da minha vida ela tentou por várias vezes,
apagar. Sem sucesso. Meu irmão passou a ser prioridade pra ela e tudo o que ele
queria ela o incentivava e dava apoio incondicional. Tudo o que eu queria era
recebido como bobagem. “Você jamais vai
conseguir”, “Você nunca vai chegar lá”, “Você nunca será ninguém na vida”,
“Você vai morrer sem conseguir nada”, “Você vai viver sua vida quebrando
pedras”, “Você não é capaz”, ”Você vai viver e morrer servindo os outros”, ”Desiste.
Não vai dar certo pra você”. E o
pior é que durante muitos anos eu acreditei em cada palavra proferida. Passei a
vida correndo atrás daquela mãe que um dia eu tive e que até hoje eu não sei
pra onde foi.
Ela passou a vida toda me manipulando e eu me
deixava manipular, achando que assim ela iria ficar feliz comigo e, quem sabe
um dia, eu teria minha mãe de volta. ILUSÃO! Quando saí do ensino médio e fui
fazer faculdade, eu não pude escolher o que faria. Até fiz vestibular pra
outras áreas que me interessavam, passei em todas, inclusive no vestibular da
Universidade Federal do Amazonas – UFAM. Mas a única alternativa que eu tive
foi fazer o que ela queria que eu fizesse. Bem! Eu fiz. Mas entrei numa
depressão sem tamanho. Só me despertei, com a Graça de Deus, quando eu tentei
suicídio. Foi ai que eu me deparei comigo e decidi dar um basta naquela
situação. Mudei de curso e fui fazer o que me interessava, de fato, fazer. Fui estudar
comunicação. Eu sempre fui muito comunicativo, então eu sabia que era nessa
área que eu deveria investir minha vida e meu tempo. COMPREI UMA BRIGA FEIA. Durante
dois anos ela me dizia que não deixaria terminar a faculdade de jornalismo. E de
tanto fez que eu, acabei me vendo numa situação que me obrigou a parar. Ela
jogou sujo comigo, me ameaçou me expulsar de casa se eu não fizesse o que ela
queria. Sai de consegui um trabalho numa panificadora. O meu horário de
trabalho não me deixava continuar com a faculdade, então parei, no meio do
caminho.
Hoje, eu luto pra voltar e concretizar esse sonho
que tanto me manteve vivo. Eu sei que ainda vou conseguir realizá-lo e chegar
lá no topo, onde eu quero estar. Ainda serei reconhecido pelo meu esforço e meu
trabalho. Serei um profissional querido
e realizado. Eu creio nisso. Vou vencer
todas as dificuldades que estão no meu caminho. Eu vou chegar lá. Um dia alguém
disse que “A LEI DA ESCOLHA É MAIOR QUE A LEI DA HERANÇA”. Ela me deixou de
herança a desesperança, o desânimo, a falta de confiança e a ideia de que eu
jamais seria o que eu quero ser. Mas eu
escolho vencer e ser quem eu sou. Eu escolho ser feliz e escolho chegar lá.
Tenham
todos um bom dia.