Nunca desista de si

"[...] Ser feliz, [...] não é ter uma vida perfeita, mas saber extrair sabedoria dos erros, alegria das dores, força das decepções, coragem dos fracos [...]."

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quinta-feira, 26 de junho de 2014

VALE A PENA SONHAR E LUTAR

OLÁ. Bom dia.
Esta é a primeira postagem deste blog e gostaria de começar escrevendo sobre algo que me ocorreu, ou melhor, ainda está. Na certa você não me conhece e na certa muitos sequer lerão este post ou jamais saberão de sua existência. Mesmo assim eu gostaria de usar este blog pra expressar algumas de minhas idéias, já que outras podem chocar alguns de vocês.

Bem! Sou como você.  Sou humano. Cheio de defeitos, cheio de qualidades (algumas ainda não descobertas), cheio de dúvidas e vontade de saciar essas dúvidas, cheio de conflitos e vontade de aquietá-los, com minhas mazelas e com vontade de superá-las, acima de tudo, cheio de sonhos e com muita vontade de conquistar cada um deles.

Hoje estou com 26 anos de idade. Não construí nada na minha vida a não ser uma vida baseada numa rotina fútil e vazia. Vivi minha vida inteira esperando por algo que nunca veio e, a essas “alturas do campeonato”, acho que não virão. Passei minha vida amargurando perdas de algo que nunca foram, de fato, minhas. Vivi minha vida querendo ouvir um som que nunca escutaria. Na verdade, eu escutei. Muitas foram às vezes em que escutei este som. Mas nenhum era direcionado a mim. Então, o que dizer?

Eu poderia descrever aqui, neste post todo o meu passado – diga-se de passagem, que ainda é muito presente – mas não farei isso. Não aqui, não agora, não hoje.

Minha infância foi de alguma forma, muito feliz. Claro que não foi perfeita e nem algo que me liberte de alguma culpa dos meus erros recentes. Vivi uma infância alegre, na medida do possível. Brinquei, corri, subi em arvores, andei de bicicleta na rua, brinquei com outras crianças. Aparentemente normal, mas tudo isso escondia uma verdade oculta, maquiada. Não que tudo o que vivi não tivesse sido verdadeiro. Foi. Sempre procurei aproveitar as coisas que eu tinha da melhor forma possível. Se eu tinha a chance de ir pra rua brincar de ‘queimada’, ‘gêmessom’, ‘esconde-esconde’, eu ia pra rua e aproveitava aquele momento. Se eu tivesse a chance de sair na chuva pra brincar, eu me deliciava com aquele momento. Muitos até hoje olham e acham que eu exagero quando tomo algumas atitudes, um tanto rudes, com algumas pessoas. Sempre foi assim. Quem estava de fora não via e, logo, não tinham a percepção da negligência dentro de casa.

Meus pais são primos legítimos, desse casamento eu tenho mais um irmão de 20 anos. Meu pai sempre nos tratou de forma igualitária. Ele nunca fez aquela distinção de idade entre os filhos que os pais costumam fazer. Já minha mãe sempre nos tratou com essa tal distinção. Até hoje eu ainda não entendo o porquê ela nos tratava assim. Meu irmão, na mente dela, era melhor em tudo, ele podia tudo e, eu, não podia nada, não era nada, nunca iria ser nada, tudo meu era limitado. O que mais me doía era que ela verbalizava tudo isso. Então eu me escondia nas aparências e me desligava disso tudo nas minhas brincadeiras.

Uma fase muito gostosa da minha vida foi quando eu fiz oito anos. Nessa época, como eu sou quase seis anos mais velho que meu irmão, minha mãe costumava me levar para todos os lugares com ela. Minha mãe sempre foi uma mulher muito guerreira, batalhadora, firme e que não baixava a cabeça para as adversidades da vida. Nunca deixou que nada faltasse em casa. Nunca deixou de pôr o pão na mesa pra ir atrás de vícios. Ela me teve muito cedo. Quando se casou com meu pai ela tinha apenas 17 anos e, com o meu nascimento e o nascimento do meu irmão, ela perdeu parte de sua juventude. Então quando completei essa idade de oito anos, meu irmão ficava com uma babá – nessa época, as coisas já haviam melhorado financeiramente. Então minha mãe teve o sonho de ser jogadora de futebol. Na posição de goleira, pra ser mais exato. Mas esse sonho foi frustrado. Então logo em seguida ela resolveu ser atriz. Foi ai que começou a fase gostosa da minha infância. Ela sempre me levava para assistir as peças de teatro que ela fazia. Era sensacional. Eu me orgulhava dela. Foi então que ela me levou pra conhecer o Centro de Artes da Universidade do Amazonas, o CAUA, e eu me encantei logo de cara com tudo o que vi lá. No mesmo ano, 1996 eu comecei a estudar música, artes plásticas e teatro lá. Durante dois anos eu me apresentei em peças teatrais em teatro, Centros de Convivências. Nas datas comemorativas, que são muitas aqui no Brasil, eu me apresentava no coral do Centro de Artes e me apresentava com os meus colegas na época, tocando flauta doce. Eu já havia começado minhas aulas de piano e não via a hora de aprender tocar violino. Foi muito bom viver tudo isso. Ela compartilhava os sonhos dela comigo e eu compartilhava os meus com ela.

Um dia ela soube de uma seleção de atores adultos e atores mirins para uma produção amazonense de uma micro-série chamada “AMAZONAS, A LENDA”, produzida pela TV Cultura daqui de Manaus. Na época, eu era bem diferente do que sou hoje. Hoje meus cabelos são cacheados e, já começaram a cair. Mas na época meus cabelos eram cheios e lisos. Ideal para ser um dos ‘curumins’ da tribo. A propósito. A série contava a histórias das índias guerreiras, as Amazonas. Minha mãe acabou ganhando duas participações diferentes. No inicio da série como uma das “Filhas do Sol”, assassinadas pelos desbravadores espanhóis. Depois foi uma das Amazonas.

Resolvi contar com mais detalhes essa parte da história pra se ter uma dimensão do sonho que havia sido plantado em mim. Mas de uma hora pra outra, tudo o que era sonho virou pesadelo. De repente, ela já não compartilhava mais os mesmos sonhos que eu. E aquela figura materna desapareceu. Até hoje, eu não sei onde foi parar minha mãe, carinhosa, acolhedora, atenciosa. A mulher que eu tenho aqui é uma total estranha pra mim. Aos treze anos eu discuti com ela pela primeira vez. Mas essa história eu conto depois. Hoje a gente não se tolera muito. – Só pra constar. Ela e meu pai não são mais casados hoje. Em 2000 eles se separaram. – tudo aquilo que eu aprendi a gostar e queria levar pro resto da minha vida ela tentou por várias vezes, apagar. Sem sucesso. Meu irmão passou a ser prioridade pra ela e tudo o que ele queria ela o incentivava e dava apoio incondicional. Tudo o que eu queria era recebido como bobagem. “Você jamais vai conseguir”, “Você nunca vai chegar lá”, “Você nunca será ninguém na vida”, “Você vai morrer sem conseguir nada”, “Você vai viver sua vida quebrando pedras”, “Você não é capaz”, ”Você vai viver e morrer servindo os outros”, ”Desiste. Não vai dar certo pra você”.  E o pior é que durante muitos anos eu acreditei em cada palavra proferida. Passei a vida correndo atrás daquela mãe que um dia eu tive e que até hoje eu não sei pra onde foi.

Ela passou a vida toda me manipulando e eu me deixava manipular, achando que assim ela iria ficar feliz comigo e, quem sabe um dia, eu teria minha mãe de volta. ILUSÃO! Quando saí do ensino médio e fui fazer faculdade, eu não pude escolher o que faria. Até fiz vestibular pra outras áreas que me interessavam, passei em todas, inclusive no vestibular da Universidade Federal do Amazonas – UFAM. Mas a única alternativa que eu tive foi fazer o que ela queria que eu fizesse. Bem! Eu fiz. Mas entrei numa depressão sem tamanho. Só me despertei, com a Graça de Deus, quando eu tentei suicídio. Foi ai que eu me deparei comigo e decidi dar um basta naquela situação. Mudei de curso e fui fazer o que me interessava, de fato, fazer. Fui estudar comunicação. Eu sempre fui muito comunicativo, então eu sabia que era nessa área que eu deveria investir minha vida e meu tempo. COMPREI UMA BRIGA FEIA. Durante dois anos ela me dizia que não deixaria terminar a faculdade de jornalismo. E de tanto fez que eu, acabei me vendo numa situação que me obrigou a parar. Ela jogou sujo comigo, me ameaçou me expulsar de casa se eu não fizesse o que ela queria. Sai de consegui um trabalho numa panificadora. O meu horário de trabalho não me deixava continuar com a faculdade, então parei, no meio do caminho.

Hoje, eu luto pra voltar e concretizar esse sonho que tanto me manteve vivo. Eu sei que ainda vou conseguir realizá-lo e chegar lá no topo, onde eu quero estar. Ainda serei reconhecido pelo meu esforço e meu trabalho.  Serei um profissional querido e realizado. Eu creio nisso.  Vou vencer todas as dificuldades que estão no meu caminho. Eu vou chegar lá. Um dia alguém disse que “A LEI DA ESCOLHA É MAIOR QUE A LEI DA HERANÇA”. Ela me deixou de herança a desesperança, o desânimo, a falta de confiança e a ideia de que eu jamais seria o que eu quero  ser. Mas eu escolho vencer e ser quem eu sou. Eu escolho ser feliz e escolho chegar lá.



Tenham todos um bom dia.

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